
Em rubras meias, pernas que dourei ao sol...
Um vil desejo insano atiço no meu pelo
e anseio que teu corpo, em gozo santo e fero,
desfie pouco a pouco a ilusão e, ao sê-lo,
alcance o paraíso em mim, num som bolero.
Acendo minha boca eivada a louco apelo
e aos eixos do destino em novos ritos quero
sonhar, dançar e amar - beldade - merecê-lo
revolta aos teus lençóis, fragor em tom sincero.
Em rubras meias, pernas que dourei ao sol
levantam-se sensuais, exibem-te o pecado,
provocam tua língua a desfiar saudades!
Um gosto forte e quente, ao cheiro de arrebol,
percorre-me a garganta e traz a mim, salgado,
o pranto do teu falo – um mar de iniquidades!

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Cabo Frio, 1º de março de 2010 – 13h49
O soneto em epígrafe não é alexandrino em razão do verso:
"Em rubras meias, pernas que dourei ao sol",
no qual o primeiro hemistíquio não perfaz elisão com o segundo hemistíquio.
Fundo musical: Altamiro Carrilho. Historia de un amor
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